Aparelho falso: quais são os riscos para os dentes?

Modelo odontológico com aparelho fixo ilustrando um artigo sobre os riscos do aparelho falso.

Usar aparelho falso pode prejudicar os dentes e a gengiva. O risco está na combinação de materiais de procedência incerta, instalação inadequada e falta de avaliação profissional. Mesmo quando a intenção é apenas mudar a aparência do sorriso, colocar peças, fios ou elásticos na boca exige cuidados que uma compra pela internet não oferece.

Também há motivo para atenção quando o aparelho é odontológico, mas o tratamento segue sem acompanhamento. A posição dos dentes é só uma parte da avaliação: raízes, osso e gengiva precisam ser considerados antes e durante a movimentação.

O que é um aparelho falso?

É o nome usado para acessórios que imitam aparelhos ortodônticos e são utilizados sem diagnóstico ou planejamento de um cirurgião-dentista. Podem ser vendidos como enfeites para o sorriso, montados com peças improvisadas ou instalados por pessoas sem formação odontológica.

Alguns apenas reproduzem a aparência do aparelho; outros também podem exercer pressão sobre os dentes. Em nenhum desses casos a semelhança com um aparelho de consultório comprova segurança ou capacidade de corrigir a mordida. 3,4

Quais são os riscos do aparelho falso?

Danos às raízes dos dentes

A movimentação ortodôntica depende de forças planejadas. Uma revisão sistemática com participação de pesquisadoras da Universidade de São Paulo analisou 21 estudos em humanos e encontrou associação entre forças mais intensas, maior duração do tratamento e maior reabsorção radicular. 1

Reabsorção radicular é a perda de parte da estrutura da raiz. Ela também pode ocorrer em tratamentos acompanhados, por isso precisa entrar no planejamento e na avaliação da evolução do caso. A revisão não comparou diretamente aparelhos falsos e convencionais; seus resultados ajudam a entender por que aplicar força sem controle é uma preocupação.

Acúmulo de placa e problemas na gengiva

Bráquetes, fios e outros acessórios criam áreas mais difíceis de limpar. Uma revisão brasileira encontrou evidência moderada de que aparelhos fixos alteram a quantidade e a composição dos microrganismos presentes na boca. 2

Quando a higiene fica prejudicada, o acúmulo de placa favorece inflamação gengival e lesões de cárie. Isso exige orientação de limpeza e avaliação da saúde bucal, inclusive em quem usa aparelho convencional. Colocar acessórios por conta própria deixa esses cuidados sem a supervisão necessária. 2,3

Comprometimento do osso que sustenta os dentes

Um relato brasileiro publicado em 2016 descreveu um homem de 42 anos que usava um aparelho de procedência incerta e apresentava higiene precária, dentes com mobilidade e periodontite severa, com perda óssea generalizada. O plano proposto incluía a extração de vários dentes. 3

Esse caso mostra uma situação grave, mas não permite atribuir todo o dano ao aparelho nem calcular a chance de isso acontecer com outras pessoas. A doença periodontal também fazia parte do quadro. Por isso, avaliar e tratar problemas na gengiva antes de movimentar os dentes é tão importante.

Contato com materiais de composição desconhecida

Um estudo de laboratório publicado em 2023 avaliou aparelhos falsos em saliva artificial e identificou a liberação de diferentes íons, incluindo chumbo e alumínio. 4

O achado chama atenção para a composição dos materiais, mas não comprova intoxicação em pessoas. O experimento não foi feito em pacientes e tem limitações para reproduzir o ambiente da boca. A conclusão prática é evitar colocar na boca produtos cuja origem e adequação para uso odontológico não sejam conhecidas.

E quando o aparelho é verdadeiro, mas falta acompanhamento?

O acompanhamento permite avaliar a resposta dos dentes, conferir a higiene, observar a gengiva e decidir se o tratamento precisa de algum ajuste. Essas decisões não podem ser tomadas apenas pela aparência do sorriso no espelho.

Os elásticos merecem cuidado especial. Há relatos científicos de elásticos que se deslocaram para baixo da gengiva e causaram destruição dos tecidos de suporte, com perda dentária. Isso não significa que o elástico prescrito seja perigoso por si só: sua indicação, posição e supervisão fazem parte do tratamento. 5

Não acrescente elásticos, aperte fios ou tente acelerar a movimentação por conta própria. Se você interrompeu os retornos, converse com o profissional responsável para reavaliar a situação antes de continuar.

Estou usando aparelho falso. O que fazer?

Procure um cirurgião-dentista para avaliar os dentes, a gengiva e o acessório utilizado. Conte como ele foi colocado, há quanto tempo está na boca e se houve dor, sangramento ou mudança na mordida. Essas informações ajudam a orientar a avaliação.

Evite puxar peças coladas ou usar ferramentas para retirá-las. A remoção deve ser orientada pelo profissional. Dor forte, inchaço, pus ou aumento da mobilidade dos dentes pedem atendimento sem adiar.

Conforme o exame clínico, podem ser necessárias radiografias ou outros registros. A necessidade é individual. O artigo sobre documentação ortodôntica e exames explica para que esses recursos são utilizados.

Como começar um tratamento ortodôntico com segurança

O primeiro passo é entender se existe indicação de tratamento e se a boca está em condições de recebê-lo. Cáries e inflamações na gengiva podem precisar de cuidados antes da instalação do aparelho.

Na primeira consulta ortodôntica, há espaço para conversar sobre o que incomoda, os tratamentos anteriores, as opções disponíveis e os cuidados necessários. O aparelho e a frequência dos retornos devem acompanhar as necessidades de cada caso.

Se você está em Ribeirão Preto e tem dúvidas sobre o aparelho que usa ou pretende iniciar um tratamento, converse com a equipe da Dra. Kelly Pereira pelo WhatsApp. A consulta permite avaliar sua situação e orientar os próximos passos.

Perguntas frequentes

Aparelho falso pode causar perda de dentes?

Há relatos de complicações graves, incluindo perda dentária em situações envolvendo aparelhos inadequados ou elásticos deslocados. Isso não significa que todo usuário perderá dentes. A extensão do risco depende do que foi usado e da condição de saúde bucal. 3,5

Posso usar aparelho falso só para tirar fotos?

Não é recomendável colocar acessórios de procedência incerta na boca para fins estéticos. Um uso breve não comprova que o material ou a forma de instalação sejam seguros. 3,4

Comprar um aparelho pela internet substitui a consulta?

Não. A compra de um produto não fornece diagnóstico nem avalia raízes, gengiva, osso e mordida. O planejamento e o acompanhamento continuam necessários, seja com aparelho fixo ou com alinhadores.

Conteúdo informativo. A indicação de tratamento e a conduta dependem de avaliação clínica individual.

Referências científicas

  1. Roscoe MG, Meira JBC, Cattaneo PM. Association of orthodontic force system and root resorption: A systematic review. American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics. 2015;147(5):610–626. Consultar publicação. Revisão sistemática com participação da USP.
  2. Freitas AOA, Marquezan M, Nojima MCG, Alviano DS, Maia LC. The influence of orthodontic fixed appliances on the oral microbiota: A systematic review. Dental Press Journal of Orthodontics. 2014;19(2):46–55. Consultar publicação. Revisão sistemática brasileira.
  3. Pereira MA, Souza FM, Queiroz PA, Vilela DDC, Cardoso JA. Exercício ilegal da ortodontia e suas consequências clínicas: relato de caso. Revista Bahiana de Odontologia. 2016;7(2):126–131. Consultar publicação. Relato de caso brasileiro.
  4. Haleem R, Shafiai NAA, Noor SNFM. An assessment of the pH changes and metal ions released into artificial saliva by fake orthodontic braces. BMC Oral Health. 2023;23:669. Consultar publicação. Estudo laboratorial.
  5. Dianiskova S et al. Tooth loss caused by displaced elastic during simple preprosthetic orthodontic treatment. World Journal of Clinical Cases. 2016;4(9):285–289. Consultar publicação. Relato de caso.

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Sobre a autora

Foto de Conteúdo revisado pela Dra. Kelly Pereira

Conteúdo revisado pela Dra. Kelly Pereira

Formada em Odontologia desde 2007 e especialista em Ortodontia, a Dra. Kelly Pereira dedica sua carreira a tratamentos personalizados para crianças, adolescentes e adultos em Ribeirão Preto.

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